Páginas em branco
microconto | O que acontece quando esquecemos de escrever nossa própria história | 019
Pietra abriu o diário da mãe na cama do hospital. Esperava encontrar segredos, medos, sonhos guardados.
Encontrou páginas inteiras sobre o primeiro dia de escola de Lucas. Sobre a promoção de Felipe. Sobre o casamento de Ana. Sobre os netos que ainda não existiam.
Nenhuma linha sobre si mesma.
Virou as páginas com as mãos tremendo. Décadas de vida reduzidas a notas de rodapé na história dos outros. Uma mulher que desapareceu enquanto documentava o desaparecimento de todos.
Pietra fechou o diário.
Pegou o celular. Abriu o aplicativo de notas. Começou a escrever sobre a filha mais velha, sobre os planos do filho, sobre as conquistas que não eram suas.
Parou.
Deletou tudo.
Mas a mão já estava acostumada ao movimento. No dia seguinte, voltou a escrever sobre os outros. E no outro. E no outro.
Quando Pietra morreu, deixou três diários cheios.
Ninguém os leu.
─── Rapha Gudolle
🧠 TRAZENDO ESSA HISTÓRIA PARA A REALIDADE
O Problema: Você já percebeu quantas histórias você conhece sobre a vida dos outros e quantas você realmente viveu? Redes sociais, WhatsApp, notícias; passamos horas consumindo a vida alheia enquanto a nossa fica em pausa.
O verdadeiro problema não é documentar. É viver através dos outros em vez de viver através de si mesmo.
A vida não é um arquivo para guardar. É um espaço para ocupar. Cada momento que você passa vivendo a vida de alguém é um momento que você não está vivendo a sua.
A Solução: Documente o que quiser; mas documente sua própria vida. Suas experiências, seus medos, suas descobertas, seus sonhos. Não os dos outros.
Para HOJE:
Identifique UMA coisa que você quer fazer (não o que os outros fazem, não o que os outros esperam).
Faça essa coisa.
Se quiser, registre… mas registre sua experiência, não a dos outros.
A vida mais significativa é aquela que você vive como protagonista, não aquela que você coleciona como espectadora.


